Constituições de Anderson (1723): o texto que organizou a maçonaria moderna

As Constituições de Anderson são o livro publicado em Londres em 1723 que reuniu a história lendária da maçonaria, os deveres dos maçons e os regulamentos das lojas da primeira Grande Loja. O título original era The Constitutions of the Free-Masons. Foi o primeiro documento a apresentar a maçonaria especulativa de forma organizada e impressa, e ainda hoje é citado como base de muitas obediências.

Quem foi James Anderson?

James Anderson (cerca de 1679 a 1739) nasceu na Escócia, era pastor presbiteriano e viveu em Londres. Foi maçom e recebeu da Grande Loja a tarefa de compilar e organizar os antigos documentos e tradições das lojas. A Grande Loja de Londres tinha sido formada em 1717, e o texto de Anderson serviu para dar a ela uma base escrita comum.

Anderson não trabalhou sozinho. O Grande Mestre da época era o Duque de Montagu, e o clérigo e cientista Jean Théophile Desaguliers, ligado à Royal Society, teve papel importante na organização da obra e na vida da Grande Loja. O livro foi aprovado pela Grande Loja antes da publicação.

O que há no livro de 1723?

A obra tem três partes principais:

  • Uma história da maçonaria. Anderson narra a arte da construção desde a Antiguidade, passando por figuras bíblicas, pelo Templo de Salomão e por grandes construtores da história. É uma narrativa de tradição, e não uma história comprovada por documentos, e os historiadores a leem como parte do imaginário da época.
  • Os Deveres de um Franco-Maçom (Charges). Seis capítulos com orientações sobre a conduta dos membros.
  • Os Regulamentos Gerais. Normas de funcionamento das lojas e da Grande Loja, compiladas anos antes por George Payne, Grande Mestre em 1718 e 1720.

Os seis Deveres de um Franco-Maçom

Os Deveres tratam dos seguintes temas:

  1. Sobre Deus e a religião. O maçom deve obedecer à lei moral. Em vez de impor uma religião específica, o texto fala de uma religião em que todos concordam, deixando as opiniões particulares a cada um.
  2. Sobre a autoridade civil. O maçom deve ser um cidadão pacífico e respeitar as leis do país em que vive.
  3. Sobre as lojas. Descrevem o que é uma loja e como os membros devem ser admitidos e se comportar nela.
  4. Sobre Mestres, Vigilantes, Companheiros e Aprendizes. Tratam de hierarquia de funções, mérito e do respeito entre os membros.
  5. Sobre o trabalho. Falam da condução dos trabalhos da loja com ordem e dedicação.
  6. Sobre a conduta. Orientam o comportamento dentro e fora da loja, no trato entre irmãos, com estranhos e na vida privada, com moderação e discrição.

Por que o texto é tão influente?

Há quatro razões principais:

  • Deu uma base escrita comum. As lojas passaram a ter um modelo de organização, com Grande Loja, Grande Mestre e regulamentos.
  • Fixou a ideia de tolerância. A proposta de unir pessoas de diferentes crenças em torno de uma moral comum marcou a identidade da maçonaria e dialogou com o pensamento iluminista.
  • Circulou rapidamente. Houve reedições e traduções. Em 1734, Benjamin Franklin imprimiu uma edição na Filadélfia, considerada o primeiro livro maçônico publicado nas Américas. Em 1738, o próprio Anderson publicou uma segunda edição revisada.
  • Serviu de referência para debates posteriores. Ao longo dos séculos, obediências diferentes interpretaram o texto de formas diferentes, e ele aparece em discussões sobre regularidade, crença e requisitos de admissão.

O que dizem as Constituições sobre as mulheres?

O texto de 1723 prevê que os membros de uma loja sejam homens livres, de boa reputação e de idade madura, e exclui mulheres e pessoas escravizadas. Isso reflete a sociedade britânica do século XVIII, e não um princípio universal da maçonaria. Com o passar do tempo, surgiram obediências femininas e mistas, e muitas delas consideram que os valores de fraternidade e de aperfeiçoamento moral valem para todas as pessoas. Leia mais em Mulheres na Maçonaria.

Como as obediências leem as Constituições hoje?

Algumas obediências, ditas regulares ou tradicionais, tomam os Deveres de 1723 como parte de seu fundamento e exigem, por exemplo, a crença em um ser supremo e a admissão apenas de homens. Outras, chamadas liberais, valorizam a liberdade de consciência e entendem o texto como um documento histórico importante, mas inserido em seu tempo. O assunto é debatido entre estudiosos e entre as próprias obediências. Veja as diferenças no artigo Tipos de maçonaria.

Perguntas frequentes

As Constituições de Anderson são a “bíblia” da maçonaria?

Não. A maçonaria não tem um livro único e obrigatório para todas as obediências. As Constituições são um documento histórico de grande peso, citado por muitas, mas não são seguidas da mesma maneira em todas.

Quando foram publicadas?

Em 1723, em Londres. Houve uma segunda edição revisada em 1738.

As Constituições de Anderson são a mesma coisa que Landmarks?

Não. Os Landmarks são princípios que algumas obediências consideram imutáveis, e cada tradição define sua própria lista. As Constituições são um texto específico, de 1723.

A maçonaria nasceu com as Constituições?

Não. A maçonaria moderna se organizou a partir de 1717, e o texto de 1723 sistematizou essa organização. Suas raízes são mais antigas e estão nas corporações de pedreiros medievais. Veja o artigo História da maçonaria.

Qual a relação com a maçonaria no Brasil?

As obediências brasileiras descendem da tradição organizada na Europa no século XVIII, e muitas mencionam as Constituições em sua formação histórica. Cada uma adota seus próprios estatutos.

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Para conhecer a trajetória completa da instituição, visite a página História da Maçonaria. Se quiser conversar com a GLUB, acesse a página de contato.