A maçonaria esteve presente em momentos decisivos da história brasileira, da Independência à Proclamação da República, e também na vida cultural do país. Reunimos aqui 10 brasileiros conhecidos que, segundo biografias e registros maçônicos, fizeram parte da instituição: um imperador, três figuras da Independência, quatro nomes da República, um compositor de ópera e o Rei do Baião.
A lista não é um ranking. Segue uma ordem aproximadamente cronológica e mostra como a maçonaria atravessou épocas e áreas diferentes. Antes de começar, uma observação: nem todo maçom divulgou sua condição em vida, e algumas filiações são mais bem documentadas que outras. Quando houve dúvida, o texto indica a origem da informação.
1. Dom Pedro I (1798-1834)
Primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I foi iniciado na maçonaria em 1822, poucas semanas antes da Independência. De acordo com os registros históricos, a iniciação ocorreu em 2 de agosto de 1822, e ele adotou o nome simbólico Guatimozin. Poucos dias depois foi elevado ao grau de Mestre. Em 4 de outubro do mesmo ano, foi instalado como Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.
A relação com os maçons foi curta e conflituosa. Em outubro de 1822, já aclamado imperador, Dom Pedro mandou suspender os trabalhos do Grande Oriente. As lojas ficaram praticamente paralisadas até a abdicação, em 1831. Para o contexto, veja a História da Maçonaria.
2. José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838)
O “Patriarca da Independência” foi cientista, estadista e o primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, eleito em 1822. Líder da corrente mais moderada e monárquica, foi conselheiro de confiança de Dom Pedro I. Em outubro de 1822, com a eleição de Dom Pedro para a Grão-Mestria, passou ao cargo de Grão-Mestre Adjunto. Mais tarde, divergências políticas o levaram ao exílio na Europa.
3. Joaquim Gonçalves Ledo (1781-1847)
Jornalista e político liberal, Ledo foi um dos principais articuladores do movimento da Independência e um dos organizadores do Grande Oriente do Brasil, em 17 de julho de 1822. Defendeu a convocação de uma Assembleia Constituinte e teve papel importante na concessão do título de Defensor Perpétuo do Brasil a Dom Pedro. Com o fechamento do Grande Oriente, em 1822, fugiu para a Argentina para evitar a prisão. Voltou ao Brasil e participou da reorganização da instituição em 1831 e 1832.
4. Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892)
Militar de carreira e primeiro presidente da República, Deodoro proclamou o novo regime em 15 de novembro de 1889. Os registros maçônicos o citam como membro ativo da instituição, e a fase final do Império teve grande participação de maçons nas discussões políticas. A sua trajetória mostra a ligação entre a maçonaria e o movimento republicano.
5. Benjamin Constant (1836-1891)
Militar e professor, Benjamin Constant foi o principal ideólogo militar do movimento republicano e participou do governo provisório como ministro da Guerra. É lembrado como educador e como figura central da proclamação. As fontes maçônicas o registram como membro ativo da ordem.
6. Quintino Bocaiúva (1836-1912)
Jornalista e político, Quintino Bocaiúva foi uma das vozes mais conhecidas da campanha republicana e participou da redação do Manifesto Republicano de 1870. Após a Proclamação, foi ministro das Relações Exteriores do governo provisório. Seu nome aparece entre os maçons que integraram o primeiro ministério republicano, formado em sua maior parte por membros da instituição.
7. Ruy Barbosa (1849-1923)
Jurista, jornalista, diplomata e político, Ruy Barbosa teve papel central na redação da Constituição de 1891 e foi ministro da Fazenda no governo provisório. Ficou conhecido internacionalmente como “Águia de Haia” por sua atuação na Conferência da Paz de Haia, em 1907. É citado entre os maçons do primeiro ministério da República e figura em listas divulgadas por organizações maçônicas.
8. José do Patrocínio (1853-1905)
Jornalista, orador e farmacêutico, José do Patrocínio foi uma das principais lideranças do movimento abolicionista, e sua atuação na imprensa ajudou a mobilizar a opinião pública antes da Lei Áurea, de 1888. Listas de maçons famosos divulgadas por entidades maçônicas o incluem, e ele é lembrado também como defensor das liberdades civis.
9. Carlos Gomes (1836-1896)
Compositor de Campinas, Carlos Gomes é o nome mais conhecido da ópera brasileira. Sua obra O Guarani estreou no Teatro alla Scala, em Milão, em 1870, e teve grande sucesso na Europa. Também aparece nas listas de maçons famosos divulgadas por instituições da ordem.
10. Luiz Gonzaga (1912-1989)
O Rei do Baião, nascido em Exu, Pernambuco, levou a música nordestina ao país com canções como “Asa Branca”, feita em parceria com Humberto Teixeira. Segundo registros divulgados por entidades e pela imprensa, ele ingressou na maçonaria em abril de 1971, em uma loja da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Pesquisadores também apontam referências à maçonaria em uma canção gravada por ele em 1982. É um dos exemplos de que a instituição também reuniu artistas populares.
O que esses nomes têm em comum?
Há dois grupos claros. O primeiro é o dos líderes políticos do século XIX, da Independência e da República, que encontraram nas lojas um espaço para debater ideias liberais, reformas e a organização do Estado. O segundo é o de artistas, jornalistas e pensadores que participaram da maçonaria como parte de sua vida social e intelectual. Em todos os casos, a filiação não explica sozinha as realizações dessas pessoas, e os historiadores debatem o peso da instituição em cada episódio.
Perguntas frequentes
Dom Pedro I foi mesmo maçom?
Sim. Ele foi iniciado em 1822 e chegou a Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. Poucas semanas depois, mandou suspender os trabalhos da instituição.
Luiz Gonzaga era maçom?
Há registros divulgados de que ingressou em uma loja em 1971. Como a informação circula principalmente em publicações de divulgação, recomenda-se confirmar com documentos da obediência à qual ele pertenceu.
A maçonaria fez a Independência do Brasil?
Maçons tiveram papel relevante, e o Grande Oriente do Brasil foi fundado em 1822. Os historiadores, no entanto, debatem a extensão da influência da instituição sobre os fatos da época. A Independência foi resultado de um conjunto de fatores políticos, econômicos e sociais.
Existem maçons famosos que são mulheres?
Sim, sobretudo em obediências femininas e mistas. Um exemplo histórico é Maria Deraismes, na França. Leia o artigo Mulheres na maçonaria.
Por que tantos líderes do século XIX eram maçons?
As lojas eram um dos poucos espaços em que pessoas de origens diferentes podiam discutir política, filosofia e reformas com certa reserva. Isso atraiu muitos intelectuais, militares e jornalistas da época.
Conheça a maçonaria de perto
Se quer entender melhor o que é a instituição, leia a página O que é maçonaria. Para saber como participar da GLUB, visite a página Torne-se Maçom.

