Das catedrais às Lojas
As raízes da Maçonaria estão nas corporações de pedreiros e construtores da Idade Média, que ergueram castelos e catedrais e preservavam seus conhecimentos e costumes em grupos organizados, as Lojas. Esses artesãos dominavam técnicas que exigiam anos de aprendizado, e a transmissão do ofício se dava por etapas, do aprendiz ao mestre. Essa estrutura, baseada na formação gradual e na ajuda mútua, é a origem dos três graus da Maçonaria simbólica.
Essa transformação foi gradual e se estendeu por vários séculos. Os antigos pedreiros se organizavam segundo regras escritas, conhecidas como Old Charges (Antigos Deveres), que estabeleciam princípios de conduta, honestidade e ajuda mútua entre os membros. Já no século XVII, há registros de pessoas que não eram construtores sendo recebidas em Lojas na Escócia e na Inglaterra, os chamados Maçons “aceitos”. Com o tempo, esses membros passaram a ser maioria, e as Lojas deixaram de ser associações de ofício para se tornarem espaços de estudo, reflexão filosófica e convivência fraterna.
Os instrumentos da construção, como o esquadro, o compasso e o malho, antes ferramentas de trabalho, ganharam então um sentido simbólico, representando virtudes que cada um deve cultivar em si mesmo. Nascia, assim, a chamada Maçonaria especulativa, voltada não mais a erguer edifícios de pedra, mas a construir o caráter de cada Irmão.

A Maçonaria moderna

Taverna onde foi fundada a primeira Grande Loja da Maçonaria
Em 24 de junho de 1717, quatro Lojas de Londres se reuniram e fundaram a primeira Grande Loja, marco da organização da Maçonaria moderna. A iniciativa deu à Ordem uma estrutura administrativa comum, capaz de unir Lojas até então independentes. Poucos anos depois, em 1723, foram publicadas as Constituições de Anderson, que reuniram os princípios, os deveres e a organização das Lojas, e que se tornaram uma das referências históricas mais importantes da Ordem.
Na primeira metade do século XVIII, a maçonaria chegou à França, à Irlanda, à Escócia, à Alemanha, à Itália, a Portugal e às colônias da América, acompanhando as ideias iluministas de liberdade, tolerância e razão. Ao longo do século XVIII, surgiram também os chamados altos graus e diversos ritos, que enriqueceram a tradição maçônica com novas formas de estudo e reflexão. Entre eles está o Rito Escocês Antigo e Aceito, cujo Supremo Conselho mais antigo foi instalado em Charleston, nos Estados Unidos, em 1801.
Pensadores, artistas, cientistas e líderes de grande influência em seu tempo encontraram nas Lojas um espaço de convivência e de troca de ideias, contribuindo para fazer da Maçonaria uma das instituições mais duradouras da história.
A Maçonaria no Brasil
A Maçonaria chegou ao Brasil ainda no período colonial, trazida por pessoas que tiveram contato com as ideias iluministas na Europa. A primeira Loja de que se tem notícia surgiu em Pernambuco, em 1796: o Areópago de Itambé. Nesse período, as Lojas funcionavam como espaços de debate e de circulação de ideias sobre liberdade, autonomia e progresso, em um contexto em que esses temas eram sensíveis para as autoridades coloniais.
No século XIX, a Ordem teve participação marcante na vida política e social do país, com Maçons ligados aos movimentos pela Independência e, mais tarde, às discussões sobre a abolição da escravatura e a República. Desde então, a Maçonaria brasileira cresceu, se diversificou em várias obediências e ritos e manteve forte presença em causas culturais, educacionais e beneficentes.

A Maçonaria Mista

Embora as primeiras Grandes Lojas fossem exclusivamente masculinas, a participação das mulheres na Maçonaria é parte importante da história da Ordem. Em 1882, na França, a jornalista e ativista Maria Deraismes foi iniciada em uma Loja. Em 4 de abril de 1893, com a ajuda de Georges Martin, criou em Paris a primeira Loja maçônica mista, e, a partir dela, nasceu em 1901 a Ordem Maçônica Mista Internacional “Le Droit Humain” (O Direito Humano).
Essa iniciativa foi pioneira por reconhecer, dentro dos templos, uma igualdade que a sociedade da época ainda negava às mulheres, que lutavam por direitos básicos como trabalhar, votar e participar da vida pública. A Maçonaria Mista e a Maçonaria Feminina se espalharam pela Europa e por outros continentes, e hoje existem obediências mistas e femininas em dezenas de países, cada uma com sua história, seus rituais e sua organização.
A Maçonaria Mista no Brasil
O movimento maçônico misto no Brasil começou em 1918, quando Maçons de obediências masculinas, e até alguns não iniciados, passaram a buscar condições para instalar uma Loja da Le Droit Humain em território brasileiro. Superadas as etapas necessárias, em 6 de junho foi formada, no Rio de Janeiro (então capital federal), a primeira Loja simbólica mista, chamada Ísis e registrada com o número 651, que se tornou a Loja-Mãe da Maçonaria Mista no Brasil.
A expansão veio nos anos seguintes. Em 1926, a imprensa de Pelotas, no Rio Grande do Sul, noticiou a fundação da Loja Cruzeiro do Sul nº 655, com diversas mulheres em seu quadro de membros. Naquele mesmo ano surgiu a Loja Marie Deraismes, em Salvador, e novas Lojas foram fundadas em outros estados nos anos seguintes. Em 1929 foi criada a Federação Brasileira, e as atividades, suspensas durante a Segunda Guerra Mundial, foram restabelecidas depois.
Ao longo do século XX, a Maçonaria Mista se consolidou no país, com o surgimento de outras obediências mistas e femininas, que ampliaram o espaço de participação das mulheres nos trabalhos maçônicos.

A GLUB e a Maçonaria Mista

É nesse contexto de abertura e igualdade que se insere a Soberana Grande Loja Unida do Brasil, que acolhe mulheres desde a sua fundação. Herdeira da tradição do Rito Escocês Antigo e Aceito e fiel ao ideal de que o caminho do aperfeiçoamento pertence a todos, a GLUB reúne Maçons homens e mulheres, que trabalham lado a lado, com os mesmos direitos e deveres.
Essa postura não é uma concessão recente, mas parte da identidade da nossa potência, fundada por Mestres Maçons que buscavam resgatar as antigas tradições do Rito com autenticidade e abertura. Ao reunir homens e mulheres em um mesmo caminho iniciático, a GLUB dá continuidade a uma história que começou com Maria Deraismes e que segue viva em cada Loja que trabalha pela fraternidade, pela igualdade e pelo bem da humanidade.
Lendas e fatos: o que a história comprova?
Algumas obras ligam a maçonaria aos construtores do Templo de Salomão, ao Egito antigo ou aos Templários. Essas narrativas fazem parte do simbolismo e da tradição interna, mas os historiadores não encontraram provas documentais de continuidade direta. Para a história documentada, a linha mais sólida vai das corporações medievais de pedreiros até as lojas especulativas dos séculos XVII e XVIII.
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A GLUB é aberta para pessoas de todas as origens, homens ou mulheres.
Perguntas frequentes
A maçonaria existe há quantos anos?
A maçonaria moderna tem pouco mais de 300 anos, contados a partir de 1717. As raízes operativas são anteriores, de vários séculos antes.
Quem fundou a maçonaria?
Não houve um fundador único. A instituição foi se formando ao longo do tempo, a partir das lojas de pedreiros. O nome mais associado à fase de 1717 a 1723 é o de James Anderson, autor das Constituições.
A maçonaria teve papel na Independência do Brasil?
Houve maçons entre os principais personagens do período, e o Grande Oriente do Brasil foi fundado em 1822. Historiadores debatem o peso exato da instituição nos acontecimentos.
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