A história das mulheres na maçonaria é menos conhecida que a dos homens, mas tem personagens importantes e episódios que mudaram a instituição. Este artigo apresenta algumas delas e mostra como a participação feminina cresceu, até chegar às obediências mistas e femininas de hoje, como a GLUB. Para um panorama geral, leia também Mulheres na maçonaria.
Elizabeth Aldworth: a “Franco-Maçom” da Irlanda
Segundo uma tradição irlandesa, a nobre Elizabeth St. Leger, mais tarde Elizabeth Aldworth, teria presenciado uma reunião de loja em Doneraile, no início do século XVIII, e depois recebido a iniciação para manter o segredo do que viu. A história é contada de formas diferentes e não tem documentação completa, por isso é tratada como lenda. Mesmo assim, ela aparece em livros e exposições como a “Mulher Maçom”, e seu retrato com avental é bastante conhecido.
As lojas de adoção na França
No século XVIII, surgiram na França as lojas de adoção, ligadas a lojas masculinas, em que mulheres participavam de cerimônias e atividades próprias. Foram uma etapa importante, mas as mulheres não tinham as mesmas funções nem os mesmos graus dos homens. Algumas aristocratas e escritoras participaram dessas lojas e abriram espaço para a discussão sobre a presença feminina.
Maria Deraismes (1828-1894)
Escritora, conferencista e defensora dos direitos das mulheres, Maria Deraismes foi iniciada em 1882, em uma loja de Le Pecq, perto de Paris. A iniciação causou controvérsia na obediência à qual a loja pertencia. Em 1893, ela e o senador Georges Martin fundaram o primeiro grupo da futura Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain, que admite homens e mulheres em igualdade. Seu nome é um marco da maçonaria mista.
Annie Besant (1847-1933)
Escritora, oradora e ativista britânica, Annie Besant atuou em causas sociais e foi uma das lideranças da Sociedade Teosófica. Foi iniciada em Le Droit Humain, em Paris, em 1902, e teve papel na expansão da ordem na Grã-Bretanha e na Índia. É um exemplo da conexão entre a maçonaria mista e os movimentos de reforma social do período.
O crescimento das obediências mistas e femininas
Ao longo do século XX, a maçonaria mista se espalhou por vários países, e surgiram também obediências só femininas. Muitas dessas organizações se aproximaram em redes e alianças internacionais, que se baseiam na liberdade de consciência e na igualdade entre as pessoas. No Brasil, há obediências masculinas, femininas e mistas, e as mulheres ocupam funções de direção e de liderança em várias delas.
O que as mulheres fazem na maçonaria hoje?
Em lojas mistas e femininas, as mulheres participam de todos os aspectos da vida maçônica. Elas estudam simbolismo e filosofia, apresentam trabalhos, participam de rituais, assumem cargos de direção, organizam ações de solidariedade e representam suas obediências em encontros nacionais e internacionais. Na GLUB, mulheres e homens maiores de 18 anos, de todas as origens, são recebidos em igualdade. Veja a estrutura em Quem somos.
Por que a visibilidade ainda é desigual?
Durante séculos, a maçonaria foi estruturada em torno de lojas só de homens, e o registro histórico acompanha essa realidade. Há menos biografias, menos documentos e menos atenção da imprensa sobre as mulheres maçons. Pesquisas recentes têm mudado esse quadro, e obediências mistas e femininas vêm organizando seus arquivos e suas homenagens.
Perguntas frequentes
Quem foi a primeira mulher maçom?
Não há um consenso. A tradição fala em Elizabeth Aldworth, no século XVIII, mas a história é uma lenda. Em termos documentados, Maria Deraismes, iniciada em 1882, é uma das primeiras, e a criação de Le Droit Humain, em 1893, marca o início da maçonaria mista moderna.
Mulheres podem chegar aos mesmos graus que os homens?
Em obediências mistas e femininas, sim. Os graus e as funções são os mesmos, sem distinção por gênero.
Todas as obediências aceitam mulheres?
Não. Algumas obediências tradicionais admitem somente homens. Veja as diferenças em Tipos de maçonaria.
Como uma mulher pode entrar na maçonaria?
Procurando uma obediência feminina ou mista e passando pelo processo de conhecimento e admissão. Na GLUB, o primeiro passo está na página Torne-se Maçom.
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